Caso Henay Amorim: Investigado por matar a esposa e simular acidente em MG vira réu por feminicídio
27/03/2026
(Foto: Reprodução) Alison e Henay viviam um relacionamento conturbado e violento, segundo polícia
Redes sociais/Reprodução
A Justiça de Minas Gerais tornou réu Alison de Araújo Mesquita, denunciado por matar a esposa, Henay Amorim, e forjar um acidente de carro na MG-050, em Itaúna, para tentar encobrir o crime, ocorrido em dezembro de 2025. A decisão é da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte.
Além de aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a magistrada decidiu manter a prisão preventiva do acusado, preso em flagrante no dia 15 de dezembro. Com isso, ele permanece detido e não pode responder ao processo em liberdade.
Em nota, a defesa de Alison Mesquita afirmou que, no momento oportuno, apresentará de forma detalhada todos os pontos da tese defensiva, bem como contradições identificadas no inquérito policial. Ressaltou que ele "permanece custodiado, mesmo com a clavícula fraturada desde a época do acidente, circunstância que indica a necessidade de atenção especial à condição de saúde e à regularidade da permanência no cárcere".
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O que muda com a decisão
Com a decisão judicial, o processo deixa de tramitar em sigilo e passa a ser público. A juíza também determinou a citação do réu, ou seja, a comunicação oficial para que ele tenha ciência da ação e apresente defesa. O prazo para resposta é de 10 dias.
Caso não constitua advogado, ele será assistido pela Defensoria Pública. Também foram determinadas providências administrativas para que a secretaria da Vara cumpra diligências solicitadas pelo Ministério Público, como a reunião de provas.
A principal medida, no entanto, foi a manutenção da prisão preventiva, considerada necessária pela magistrada diante da gravidade do caso.
Denúncia por feminicídio e fraude
A juíza aceitou integralmente a denúncia do MPMG, que acusa Alison de feminicídio com as qualificadoras de violência doméstica e familiar, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual.
Segundo o Ministério Público, o crime ocorreu na madrugada de 14 de dezembro de 2025, em um apartamento no bairro Nova Suíça, na região Oeste de Belo Horizonte.
Próximos passos
Com o recebimento da denúncia, o processo entra na fase de instrução, quando serão analisadas provas e ouvidas testemunhas.
Ao final dessa etapa, a Justiça decidirá se o réu será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri. Enquanto isso, ele permanece preso preventivamente.
Relembre o crime
Polícia divulga vídeos que mostram cronologia das agressões até a morte de Henay Amorim
De acordo com a denúncia, o relacionamento entre o casal era conturbado e já havia registros de agressões físicas e psicológicas. Veja no vídeo acima a ordem cronológica do crime.
No dia do crime, a vítima teria manifestado o desejo de encerrar o relacionamento. Inconformado, Alison de Araújo a atacou e a matou por asfixia, após apertar o pescoço de forma violenta.
Horas depois, já pela manhã, ele teria tentado encobrir o crime ao simular um acidente de trânsito na rodovia MG-050, na altura do km 90.
Segundo o Ministério Público, o acusado colocou o corpo da mulher no banco do motorista e seguiu viagem no passageiro, ao dirigir o veículo para criar a falsa impressão de que a vítima estava ao volante.
Após passar por uma praça de pedágio, ele provocou uma batida para simular que a morte teria ocorrido em decorrência do acidente.
Para o MPMG, a conduta revelou “extrema objetificação da mulher como meio de autopreservação”, o que evidencia também, um “acentuado grau de misoginia”.
Principais pontos confirmados pela polícia
Morta dentro do apartamento
A Polícia Civil concluiu, com base na análise de imagens e em perícias, que Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, foi morta por asfixia pelo companheiro, Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, na noite de 13 de dezembro de 2025, no apartamento onde o casal vivia, no bairro Nova Suíça, em Belo Horizonte.
Histórico de agressões e tentativa de eliminar provas
Imagens recuperadas pela perícia mostram que, meses antes do crime, Alison agrediu Henay dentro do apartamento, inclusive com socos. Em um desses episódios, a vítima chegou a filmar o companheiro, que tentou retirar o cartão de memória da câmera para apagar provas.
Motivação e premeditação
A investigação apontou que o crime teve elementos de planejamento e tentativa de encobrimento. Após matar Henay, Alison pesquisou na internet termos sobre acidentes de trânsito, medicina legal e jurisprudência. Para a polícia, a pesquisa buscava sustentar a versão de morte acidental.
Tentativa de ocultar imagens e adulterar cenas
O investigado desligou a câmera interna do apartamento logo após o crime e ainda tentou apagar vestígios no local antes de colocar o corpo no carro. A perícia, porém, encontrou material biológico mesmo depois da tentativa.
Simulação de acidente para ocultar o feminicídio
Alison posicionou o corpo de Henay no banco do motorista e dirigiu o veículo mesmo sentado no passageiro para simular o acidente na MG-050, em Itaúna.
Câmeras de um pedágio registraram a situação atípica, com Henay imóvel ao volante e Alison ao controlar a direção, o que chamou a atenção da polícia.
Henay já estava morta antes da batida
Exames periciais e laudos indicaram que Henay já estava morta e com sinais de asfixia antes da batida com um micro-ônibus, o que desmonta a versão inicial de acidente de trânsito.
Prisões e indiciamentos
Alison foi preso durante o velório de Henay, em Divinópolis, no dia 15 de dezembro, após a polícia reunir indícios suficientes para a prisão em flagrante por feminicídio e fraude processual.
A polícia o indiciou por feminicídio qualificado, com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, e por fraude processual ao simular o acidente e adulterar a cena do crime.
Veja abaixo a ordem cronológica do crime:
Vídeo revela que motorista estava desacordada antes de sofrer acidente na MG-050
17 de agosto de 2025
1h25 – Câmeras instaladas no apartamento do casal registraram Alison, que deu diversos socos em Henay, enquanto a vítima estava sentada no sofá.
13 de dezembro de 2025
14h39 – Imagens da câmera interna do apartamento mostram Henay e Alison deitados em um colchão na sala, o que levou a polícia a concluir que, na véspera do crime, o investigado ainda mantinha a câmera instalada no cômodo.
20h44 – Uma câmera do condomínio registrou o último momento de Henay com vida. O casal chegou ao prédio, e a vítima acenou para amigos que estavam no local.
14 de dezembro de 2025 – dia do crime
4h49 – Câmeras de monitoramento mostraram o investigado ao arrastar o corpo de Henay até o carro. Nas imagens, foi possível ver a mão da vítima.
5h04 – O investigado alterou o local do crime ao arrastar o colchão utilizado até a garagem do prédio. Segundo a polícia, a ação teve como objetivo adulterar a cena para eliminar provas.
5h10 – O investigado deixou o prédio ao dirigir o veículo do banco do passageiro, enquanto Henay estava no banco do motorista.
5h56 – O veículo passou pelo pedágio na MG-050, em Itaúna. Henay apareceu imóvel no banco do motorista, enquanto o investigado dirigia.
6h15 – O investigado jogou o carro contra um micro-ônibus, com a intenção de provocar um acidente e acobertar a morte de Henay.
15 de dezembro de 2025
7h50 – O investigado foi preso pela Polícia Civil durante o velório. Os policiais constataram arranhões nos braços, o que reforçou a suspeita de tentativa de defesa por parte de Henay, com indícios de luta.
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Infográfico - Caso Henay Amorim
Arte g1
Henay Rosa Gonçalves Amorim foi morta pelo namorado que simulou acidente para esconder o crime em Itaúna
PMRv/Divulgação
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