Professor da UFMG é denunciado por discriminação após fechar acesso a rampa de cadeirante e fazer deboche: 'Voltou a andar?'
14/02/2026
(Foto: Reprodução) Juliana Duarte e o marido, Pedro Vieira
Vânia Cardoso
Uma chef de cozinha de Belo Horizonte denunciou à polícia que o marido, que é cadeirante, foi alvo de discriminação na noite da última quinta-feira (12). O suspeito é um professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Segundo a chef Juliana Duarte, proprietária de um restaurante no bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul, ela, o marido, Pedro Edson Cabral Vieira, e a cuidadora dele estavam indo para o estabelecimento quando se depararam com um carro parado na faixa de pedestres, impedindo o acesso à rampa de acessibilidade da calçada.
Ela foi a um bar próximo, identificou o proprietário do veículo, o professor Pedro Benedito Casagrande, e pediu que ele retirasse o automóvel para que o marido pudesse passar com a cadeira de rodas.
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No caminho até o carro, Juliana perguntou ao professor se "ele não tinha vergonha de estacionar na faixa de pedestre". Ele disse que não e que era "escroto". Em seguida, retirou o veículo.
"Para mim, o caso estava encerrado. Mas ele veio por trás da gente e se dirigiu ao meu marido dizendo: 'Tchau, cadeirante. Espero que você ande muito por aí'. Eu fiquei tão abobada, tão nervosa, que nem falei nada", contou a chef.
Segundo Juliana, na sequência, o professor ainda entrou no restaurante dela, sorrindo, e perguntou a ela, em tom sarcástico: "E aí, ele voltou a andar?".
"Eu fiquei muito abalada, é um negócio inexplicável. O que nós vivemos foi uma violência", lamentou.
Denúncia
Juliana Duarte registrou um boletim de ocorrência contra o suspeito na Delegacia Especializada de Atendimento à Pessoa com Deficiência e ao Idoso, em Belo Horizonte, além de denunciar o caso na ouvidoria do governo federal.
O marido dela sofre há quatro anos de uma doença degenerativa que o impede de falar e se locomover, mas está consciente e tem ciência de todo o ocorrido. Eles nunca tinham passado por nada parecido.
"Temos que lutar por justiça. Eu espero que ele seja intimado e punido e que, a partir desse acontecimento, a gente consiga dar visibilidade à discriminação contra as pessoas com deficiência. Agora é luta, é um assunto que tocou nosso coração", falou.
O g1 entrou em contato com o professor Pedro Benedito Casagrande, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
O g1 também questionou a Polícia Civil sobre o fato.
O que diz a UFMG
Em nota, a UFMG afirmou que "recebeu, por meio de sua Ouvidoria, denúncia envolvendo um professor da Escola de Engenharia, relacionada a ato de ofensa e discriminação contra pessoa com deficiência".
Segundo a instituição, a denúncia seguirá a tramitação administrativa, "com rigor na apuração dos fatos, observância dos ritos processuais e adoção de todas as providências cabíveis, na forma da lei".
"A UFMG reafirma que não tolera qualquer conduta que viole a dignidade humana ou os direitos fundamentais. Seus servidores devem pautar sua atuação pelos princípios da legalidade, da moralidade, da ética e do respeito irrestrito aos direitos humanos, dentro e fora do ambiente universitário, nos termos da lei que rege a atuação de servidores públicos", disse a UFMG.
A universidade declarou, ainda, que "reitera seu compromisso institucional com a construção de uma sociedade mais inclusiva e respeitosa, na qual não há espaço para práticas discriminatórias ou violadoras de direitos".
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